21.3.06

Pátria

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
-Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo

Sophia de Mello Breyner Andressen

17.3.06

PURA DEMAGOGIA

"As diversas campanhas eleitorais em que estivemos envolvidos foram muito importantes para a nossa credibilização junto da direcção nacional do Partido Socialista. O capital político e a respeitabilidade que conquistámos serão fundamentais para a nossa relação com o Partido Socialista conseguirmos a vitória para algumas das nossas bandeiras políticas."

Pedro Nuno dixit

15.3.06

CARICATO

Não posso deixar de achar curioso, diria mesmo caricato, que uma semana após receber a convocatória para a Comissão Nacional que irá marcar o próximo congresso nacional da JS, receba em casa uma segunda carta a comunicar a constituição da ONESES E ONESEBS, grandes bandeiras da moção aprovada no congresso de Guimarães em 2004, a importância de uma nova direcção para ANJAS, entre outras informações que mais parecem a necessidade de mostrar serviço.

1 - É verdade que terminámos um ciclo eleitoral, e que essas mesmas eleições nos ocuparam algum tempo, mas não o suficiente para a total inércia da estrutura nos últimos quase 2 anos.
Os actos eleitorais devem permitir-nos exercer o nosso dever de agentes políticos promovendo o debate e reflexão. Enquanto estrutura política é obrigação da JS concentrar-se na acção e na intervenção política sempre e em qualquer momento, independentemente do calendário eleitoral.

2 - Durante os últimos dois anos muitas foram as oportunidades, mas é já perto do congresso que se tenta criar a ONESES E ONESEBS e se responsabilizam as estruturas concelhias e federativas pelo insucesso na criação das mesmas.

3 - Durante os últimos 2 anos ouvi várias vezes o Presidente da Assembleia Geral da ANJAS manifestar a sua disponibilidade para marcar eleições internas. 5 meses depois das autárquicas e 3 dias antes da Comissão Nacional que marca o Congresso Nacional é que o SN volta a falar nisto.

4 - A referida carta fala ainda em reuniões com vários secretários de estado e iniciativas parlamentares, incluindo o ante projecto-lei com vista à alteração do código civil que prevê que seja possível o casamento entre homossexuais. Parecia interessante, não fosse a falta de debate interno sobre os mesmos temas, a falta do contacto com os militantes de base, e ver que essas iniciativas são meras reacções a outras forças políticas, como se houvesse um concurso para ver quem é o primeiro a tomar a iniciativa.

Está na hora da JS voltar a ter uma atitude consciente, consertada com as bases, responsável e responsabilizadora.


Depois de 2 anos com muito pouca informação, receber tanta informação e a promessa de tanta actividade, com a ideia de que se não for cumprida é culpa de todos menos do actual secretariado nacional parece piada e faz-me lembrar uma animação que recebi no outro dia por mail - "Titanic em 30 segundos".


SERÁ QUE ALGUÉM SE ANDA A TENTAR JUSTIFICAR POR TRABALHO QUE NÃO FEZ?

12.3.06

Será um recado para alguém ?

"É preciso que se olhe para as coisas da juventude sabendo do que se fala e não pela análise diária dos jornais, por surtos de moda."

Laurentino Dias, Secretário de Estado da Juventude, 7 de Março de 2006.

11.3.06

Comissão Nacional da JS - Dia 19 de Março


Não tenho dúvidas sobre o bom sentido de oportunidade da próxima Comissão Nacional de marcação de Congresso Nacional, senão vejamos:

1. As conclusões políticas da última Comissão Nacional em Portalegre foram ignoradas até hoje pelo Secretariado Nacional.

2. O Jovem Socialista está desde Novembro de 2005 sem Director eleito, sendo que o camarada director interino agride, reiteradamente, a organização, com total cumplicidade do Secretário-Geral.

3. Na sequência do episódio triste das divergências públicas entre Secretário-Geral e o grupo de deputados da JS sobre a estratégia a seguir relativamente ao casamente entre homossexuais, o órgão máximo entre congressos não foi, mais uma vez, ouvido ou considerado.

4. O símbolo da JS foi alterado e totalmente descaracterizado, sendo que, actualmente, a sua similitude com o símbolo de outras forças políticas é maior do que com o símbolo oficial da JS ou mesmo do PS.

5. É no mínimo duvidosa a legitimidade política para descrever a JS como a esquerda dentro da esquerda, tendo em conta o seu passado, os seus estatutos e a declaração de princípios do PS.

Perante isto o Presidente da Comissão Nacional, naturalmente, decidiu e bem avançar para a marcação do congresso.

Agora está na hora da clarificação, sem coligações de coerência ideológica questionável...

Está na hora de a JS voltar a ser livre e de todos!

8.3.06

O Péssimo e o Mau



O dia mais indesejado do ano, irá ter lugar amanhã. Os mais curiosos, terão oportunidade de assistir à tomada de posse do pior Presidente da República desde o 25 de Abril!! Na impossibilidade de vir pessoalmente felicitar o novo aliado, o "imperador Bush II", enviou o seu pai para representar a família imperial.

Curioso é também o paralelismo que se pode estabelecer entre Cavaco Silva e George Bush. Cavaco é presidente da república, e julga-se primeiro-ministro, Bush é presidente dos EUA e julga-se Imperador do mundo (quiçá inspirado por algum filme de Gengis Khan em criança, ou pela história de Átila, o rei dos Hunos!!).

O povo é soberano, e é nestas situações que se pode verificar que a Democracia é fértil em proporcionar oportunidades a todos, mesmo a todos!! Para o bem e para o mal!!

5.3.06

Noticias….

Para quando notícias?

Habituei-me a ler no Decido, passivamente, absorto de quaisquer contributos, visões socialistas jovens, acutilantes, intransigentes, não amorfas, solidárias … Aqui bebia a informação (e opinião) que não obtinha nos meios de comunicação e informação.
Consulto quase diariamente quatro blogs. Este é um deles.

Sendo eu, provavelmente, do espectro de leitores assíduos do Decido, o que menos argumentos tem para reclamar (porque posso postar sem o fazer) puxo pelos galões, que não tenho, e questiono… para quando notícias? No último post, o Alexandre Santos (que não conheço), termina com …“Mas não da crítica, e do verdadeiro combate político, já que este opera pela exclusão”. Aceita este elogio Alexandre, concordante, que resulta em crítica, onde andam as ditas (críticas) e o combate político verdadeiro do Decido?

Não faltam assuntos para debater. Lanço um. O anacronismo político da direcção da Juventude Socialista, a meu ver entenda-se. Ao desprezar a maior das batalhas (a que tento persuadi-los a abraçar novamente aqui no Decido) da informação, a JS permite o engrandecimento da desigualdade inter-pares enquanto se procura antecipar o estádio de desenvolvimento do país, na tentativa ganhar meses em lutas que, legítimas e importantes, de vitória futura garantida, não são as mais significativas. Soa, para quem observa externamente, a tentativa de encontrar uma bandeira própria, como foi (e ainda é) a IVG para precedentes direcções da Juventude Socialista Nacional. Para nós, e os ainda mais jovens, no mundo actual do paradigma de inovação e conectividade, a maior desigualdade prende-se com o acesso ao conhecimento (capacidade de interpretar) e à informação (falta do que interpretar). Esta é, simultaneamente, a nossa arma nesta batalha. Vivemos uma sociedade globalizada e competitiva, de direitos adquiridos, de lobbies intransigentes na tentativa de manutenção de um status quo favorecedor, penalizando e subserviendo, indubitavelmente, aqueles que ainda não adquiriram quaisquer direitos... nós!

Olhar o futuro, promover a mudança, defender alto e claro quais são as nossas pretensões para um futuro que é nosso! Não da esquerda dentro da esquerda. Sim a esquerda plural e consciente. Lato sensu, a nossa luta devia ser minorar a ignorância e o desconhecimento (armas do Estado Novo). Pela igualdade. Através da informação.
Corro o risco de estar a construir uma crítica biunívoca, de me acusarem de anacronismo estratégico…. Não me preocupo. Afirmo-o com convicção, cabal, que fundamento nas diferentes experiências profissionais, académicas, cívicas e políticas (menos), que vivi e vivo em Portugal e no Estrangeiro. Defendo uma estratégia, de igualdade no conhecimento e pelo conhecimento, contrariamente aquilo que me parece ser, generalizadamente, desígnio da cúpula nacional da Juventude Socialista.

Não me revejo na tentativa de obtenção do epíteto de 5º, 6º ou n-ésimo país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, revejo-me na educação. Dotar a juventude de informação, via educação e formação, mobilidade, multiculturalidade, é preparar bem a juventude e o futuro, é garantir que o assunto supra-citado, ou qualquer outro, será defendido ou bloqueado pelos jovens socialistas, não por carneirismo ou imposição de alguns privilegiados, mas sim por convicção própria.

Observando a realidade portuguesa, os desafios (complexos) com que nos deparamos e não podemos menosprezar, em particular a circunstância da nossa economia, vejo-me forçado a re-hierarquizar objectivos, sem esquecer a educação, a concentrar esforços no primeiro emprego. Particularmente, no primeiro emprego qualificado.

Não pretendo arrogar-me de possuir soluções sobre alguma das preocupações que referi, menos de saber como está internamente a Juventude Socialista. Por isso, o mais provável é não escrever novamente aqui no Decido. O meu propósito é que vocês voltem a postar para que eu possa estar informado (objectivo nada altruísta reconheço).
Que tal sobre a Estratégia de Lisboa e o Plano Tecnológico ou sobre as nossas promessas Eleitorais nas legislativas de há um ano atrás.

Preciso deste blog activo… mais agora (desde Setembro) que vivo com nuestros hermanos.

Cumprimentos e bons posts


Guilherme

20.2.06




"...o tempo avança com cinza, com ar e com água! A pedra que o lodo e a angústia morderam floresce com prontidão com estrondo de mar, e a pequena rosa regressa ao seu delicado túmulo de corola.
O tempo lava e desenvolve, ordena e continua.
E que fica então das pequenas podridões, das pequenas conspirações do silêncio, dos pequenos frios sujos da hostilidade? Nada..."

Pablo Neruda



Estaremos todos dispostos, independentemente das escolhas e opções, a pagar o preço de uma conduta elevada, marcada por uma intransigência de príncipios fundamentais? Sendo que ninguém é dono da verdade absoluta, importa que as decisões provenham de uma saudável e proveitosa discussão de ideias e de estratégias políticas, que permitam a reflexão individual e consciente de todos os envolvidos em momentos decisivos que se avizinham.
Qualquer pessoa gosta do elogio, e de percorrer o caminho menos sinuoso, pois ele opera pela insinuação. Mas não da crítica, e do verdadeiro combate político, já que este opera pela exclusão.

6.2.06

"O Cerco"

"JÁ FALTOU mais para que um dia destes tenha de passar à clandestinidade ou, no mínimo, tenha de me enfiar em casa a viver os meus vícios secretos. Tenho um catálogo deles e todos me parecem ameaçados: sou heterossexual «full time»; fumo, incluindo charutos; bebo; como coisas como pezinhos de coentrada, joaquinzinhos fritos e tordos em vinha d’alhos; vibro com o futebol; jogo cartas, quando arranjo três parceiros para o «bridge» ou quando, de dois em dois anos, passo à porta de um casino e me apetece jogar «black-jack»; não troco por quase nada uma caçada às perdizes entre amigos; acho a tourada um espectáculo deslumbrante, embora não perceba nada do assunto; gosto de ir à pesca «ao corrido» e daquela luta de morte com o peixe, em que ele não quer vir para bordo e eu não quero que ele se solte do anzol; acredito que as pessoas valem pelo seu mérito próprio e que quem tem valor acaba fatalmente por se impor, e por isso sou contra as quotas; deixei de acreditar que o Estado deva gastar os recursos dos contribuintes a tentar «reintegrar» as «minorias» instaladas na assistência pública, como os ciganos, os drogados, os artistas de várias especialidades ou os desempregados profissionais; sou agnóstico (ou ateu, conforme preferirem) e cada vez mais militantemente, à medida que vou constatando a actualidade crescente da velha sentença de Marx de que «a religião é o ópio dos povos»; formado em direito, tornei-me descrente da lei e da justiça, das suas minudências e espertezas e da sua falta de objectividade social, e hoje acredito apenas em três fontes legítimas de lei: a natureza, a liberdade e o bom senso.
Trogloditas como eu vivem cada vez mais a coberto da sua trincheira, numa batalha de retaguarda contra um exército heterogéneo de moralistas diversos: os profetas do politicamente correcto, os fanáticos religiosos de todos os credos e confissões, os fascistas da saúde, os vigilantes dos bons costumes ou os arautos das ditaduras «alternativas» ou «fracturantes». Se eu digo que nada tenho contra os casamentos homossexuais, mas que, quanto à adopção, sou contra porque ninguém tem o direito de presumir a vontade «alternativa» de uma criança, chamam-me homofóbico (e o Parlamento Europeu acaba de votar uma resolução contra esse flagelo, que, como está à vista, varre a Europa inteira); se a uma senhora que anteontem se indignava no «Público» porque detectou um sorriso condescendente do dr. Souto Moura perante a intervenção de uma deputada, na inquirição sobre escutas na Assembleia da República, eu disser que também escutei a intervenção da deputada com um sorriso condescendente, não por ela ser mulher mas por ser notoriamente incompetente para a função, ela responder-me-ia de certeza que eu sou «machista» e jamais aceitaria que lhe invertesse a tese: que o problema não é aquela deputada ser mulher, o problema é aquela mulher ser deputada; se eu tentar explicar por que razão a caça civilizada é um acto natural, chamam-me assassino dos pobres animaizinhos, sem sequer quererem perceber que os animaizinhos só existem porque há quem os crie, quem os cace e quem os coma; se eu chego a Lisboa, como me aconteceu há dias, e, a vinte quilómetros de distância num céu límpido, vejo uma impressionante nuvem de poluição sobre a cidade, vão-me dizer que o que incomoda verdadeiramente é o fumo do meu cigarro, e até já em Espanha e Itália, os meus países mais queridos, tenho de fumar envergonhadamente à porta dos bares e restaurantes, como um cão tinhoso; enfim, se eu escrever velho em vez de «idoso», drogado em vez de «tóxicodependente», cego em vez de «invisual», preso em vez de «recluso» ou impotente em vez de «portador de disfunção eréctil», vou ser adoptado nas escolas do país como exemplo do vocabulário que não se deve usar. Vou confessar tudo, vou abrir o peito às balas: estou a ficar farto desta gente, deste cerco de vigilantes da opinião e da moral, deste exército de eunucos intelectuais.
Agora vêm-nos com esta história dos «cartoons» sobre Maomé saídos num jornal dinamarquês. Ao princípio a coisa não teve qualquer importância: um «fait-divers» na vida da liberdade de imprensa num país democrático. Mas assim que o incidente foi crescendo e que os grandes exportadores de petróleo, com a Arábia Saudita à cabeça, começaram a exigir desculpas de Estado e a ameaçar com represálias ao comércio e às relações económicas e diplomáticas, as opiniões públicas assustaram-se, os governantes europeus meteram a viola da liberdade de imprensa ao saco e a srª comissária europeia para os Direitos Humanos (!) anunciou um inquérito para apurar eventuais sintomas de «racismo» ou de «intolerância religiosa» nos «cartoons» profanos. Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os «cartoons», mas de quem os publica!
A Dinamarca não tem petróleo, mas é um dos países mais civilizados do mundo: tem um verdadeiro Estado Social, uma sociedade aberta que pratica a igualdade de direitos a todos os níveis, respeita todas as crenças, protege todas as minorias, defende o cidadão contra os abusos do Estado e a liberdade contra os poderosos, socorre os doentes e os velhos, ajuda os desfavorecidos, acolhe os exilados, repudia as mordomias do poder, cobra impostos a todos os ricos, sem excepção, e distribui pelos pobres. A Arábia Saudita tem petróleo e pouco mais: é um país onde as mulheres estão excluídas dos direitos, onde a lei e o Estado se confundem com a religião, onde uma oligarquia corrupta e ostentatória divide entre si o grosso das receitas do petróleo, onde uma polícia de costumes varre as ruas em busca de sinais de «imoralidade» privada, onde os condenados são enforcados em praça pública, os ladrões decepados e as «adúlteras» apedrejadas em nome de um código moral escrito há quase seiscentos anos. E a Dinamarca tem de pedir desculpas à Arábia Saudita por ser como é e por acreditar nos valores em que acredita?
Eu não teria escrito nem publicado «cartoons» a troçar com Maomé ou com a Nossa Senhora de Fátima. Porque respeito as crenças e a sensibilidade religiosa dos outros, por mais absurdas que elas me possam parecer. Mas no meu código de valores - que é o da liberdade - não proíbo que outros o façam, porque a falta de gosto ou de sensibilidade também têm a liberdade de existir. E depois as pessoas escolhem o que adoptar. É essa a grande diferença: seguramente que vai haver quem pegue neste meu texto e o deite ao lixo, indignado. É o seu direito. Mas censurá-lo previamente, como alguns seguramente gostariam, isso não.
É por isso que eu, que todavia sou um apaixonado pelo mundo árabe e islâmico, quanto toca ao essencial, sou europeu - graças a Deus. Pelo menos, enquanto nos deixarem ser e tivermos orgulho e vontade em continuar a ser a sociedade da liberdade e da tolerância."

Miguel Sousa Tavares

4.2.06




Começa de facto, a assumir contornos muito preocupantes, toda esta questão que gira em torno das caricaturas produzidas na Dinamarca. Penso que em breves frases, Miguel Sousa Tavares e José Pacheco Pereira tocam no essencial da questão, pelo que, irei transcrevê-las de seguida:


"Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os "cartoons", mas de quem os publica!"
Miguel Sousa Tavares
Expresso


"A história das caricaturas dinamarquesas é extremamente simples e começa e acaba numa linha: é uma questão de liberdade. Ou há, ou não há. O que é novo e precupante são as toalhas de palavras e justificações que começam a ocultar o que devia ser absolutamente simples e onde qualquer palavra a mais é demais."

José Pacheco Pereira
http://abrupto.blogspot.com/

3.2.06

Aviso à Navegação

A Juventude Socialista é uma estrutura política de jovens. A sua história, com pouco mais de 30 anos, revela a importância e responsabilidade com que já interviu nos vários sectores da sociedade portuguesa.

É, portanto, uma estrutura que não pode remar sem rumo, não pode deixar de reconhecer os seus faróis e limitar-se a seguir os barcos que por ela passam.

Já não é de agora que a J.S. vem defendendo a legalização dos casamentos de homossexuais, entre outros temas igualmente importantes. Mas, não pode reagir em vez de agir com a responsabilidade que lhe compete, não pode limitar-se à reacção imediata porque lá atrás vem outro, porque um qualquer elemento exterior parece ameaçar o protagonismo.

O sucesso das várias iniciativas desta estrutura deve-se a acção, a um espirito de iniciativa que coloca toda a estrutura, em qualquer ponto do país, do Secretário Geral ao militante de base, a debater uma questão a participar na sua solução, a acreditar numa causa e a lutar por ela.

Aproveito para sugerir que esta grave questão que coloca em causa a igualdade entre seres seja tratada com a devida dignidade. Não é um mero argumento para mais protagonismo, muito menos para justificar actividade, menos ainda para justificar a necessidade de afirmação de alguém.

Proponho o lançamento de uma campanha que sensibilize o maior número de cidadãos portugueses, e obviamente aqueles que mais responsabilidades têm.
O Partido Socialista como partido que defende a igualdade, saberá certamente reconhecer o que se trata e motivar-se, também, para esclarecer esta situação, como já aconteceu noutras causas onde a JS foi pioneira.

Portugal não é diferente, nem melhor do que qualquer outro país se for o 5º mundial ou o 4º país da Europa a legalizar o casamento entre homossexuais. Será diferente e mais moderno se realmente compreender o que se trata, se ganhar maturidade suficiente para tratar todo e qualquer cidadão da mesma forma, sem piadas, sem gracinhas, sem reservas de consciência, sem exclusões e repressões.



Porque há mais marés que marinheiros, acredito que melhores dias viram.



É revoltante e inaceitável, a situação que se vive actualmente na Juventude Socialista. (Des) Orientada por um líder que busca unicamente protagonismo pessoal fácil, e que por isso abraça unicamente causas que motivam polémica na opinião pública, devido á cobertura que têm merecido por parte dos media.

Senão analisem-se os factos:

- Desde o dia que foi eleito, que a sua principal preocupação foi, espantem-se, a sua reeleição;

- No momento em que se encontra em curso a requalificação da rede escolar do 1º. Ciclo, que necessita de um acompanhamento atento, devido ás especificidades das nossas diferentes regiões, que poderão por em causa condições essenciais de estudo e formação das nossas crianças, a J.S. não se pronuncia;

-Quando se discute Bolonha, que na actual forma irá retirar direitos adquiridos aos estudantes do Ensino Superior, a J.S. não se pronuncia;

-Vão prescrever este ano, se nada for feito em sentido contrário, milhares de alunos do Ensino Superior. Vítimas de uma Lei de Financiamento injusta, com particular relevo para o seu artigo 5º que define um Regime de Prescrições, que imputa levianamente a responsabilidade do insucesso escolar unicamente ao aluno. Não tendo em conta a qualificação e capacidade pedagógica dos Docentes, a disponibilização de meios humanos a materiais por parte das instituições, entre outras...a J.S. não se pronuncia;

- Existe neste momento uma descriminação inaceitável, na atribuição de verbas para a Acção Social para os diferentes subsistemas de ensino, a J.S. não se pronuncia;

-Militantes da J.S. candidatam-se a Associações e Federações Académicas. Defendo que a J.S., ou uma outra qualquer organização política, não se deve intrometer nas actividades associativas, mas deve incentivar os seus membros a participar activamente para que possam dar o seu melhor contributo. A J.S. não apoia...a J.S. não se pronuncia;

-Surgem na televisão duas mulheres que se pretendem casar, e o Secretário-Geral da J.S., pronuncia-se de imediato. Num claro desrespeito pelos restantes deputados da J.S., que foram eleitos, e portanto, não são nenhuns fantoches, Pedro Nuno Santos avança com uma proposta de lei para legalizar os casamentos homossexuais. Mais uma vez Pedro Nuno Santos vai a reboque do Bloco de Esquerda, como aconteceu na despenalização do aborto, na legalização das drogas e agora na legalização de casamentos homossexuais.

1º É um comportamento verdadeiramente Estalinista, desprezar os restantes deputados da A.R. da J.S., e avançar sozinho sem consultar ninguém, dizendo que fala por toda a J.S.;

2º É uma vergonhosa busca de protagonismo e visibilidade, à qual o facto de estarmos em ano de congresso, não deve ser alheia;

3º Não desprezo a despenalização do aborto, a legalização das drogas e a legalização de casamentos homossexuais, mas existe muito mais Juventude para além destes temas. Existem problemas, que não serão tão mediáticos, mas de importância crucial para os nossos jovens, para o nosso País;

É por estas e outras razões, que a seu tempo virão a público, que eu não apoio o Pedro Nuno Santos, nem me revejo minimamente na sua (falta) estratégia ou conduta política. Tudo farei, para que surja uma alternativa credível, com qualidade, que devolva à J.S. o prestígio e credibilidade de tempos passados.

30.1.06





Sócrates exclui consórcio em rede e admite a ligação do MIT a apenas uma universidade portuguesa.

Diário Económico

Ter um Ministro refém do Instituto Superior Técnico já era suficientemente mau, para vermos agora todo um Governo a submeter-se a estes corporativismos escandalosos. O IST há muito que deixou de ser uma referência em muitas áreas da Ciência e Tecnologia, é portanto, vergonhoso colocar os interesses de uma Instituição de Ensino Superior, acima do interesse nacional.

O que tem a dizer o Secretário-Geral da J.S. em relação a isto? O silêncio do costume?


Posted by Picasa

28.1.06

Simplesmente Linda

Para relaxar e descontrair....ao futuro....


Simplesmente fabulosa a fotografia e a beleza desta baby de seu nome Ana e sobrinha de um grande Amigo.

26.1.06

VATE


A Companhia de Teatro do Algarve - ACTA inovou no Algarve e de certo modo também no país, com a criação de uma sala de espetáculos itenerante. Um autocarro capaz de se tranformar num autêntico teatro. Os cidadãos algarvios passam a poder ter acesso a espetáculos em qualquer localidade da região. Além dos espetáculos a programação do VATE permite também workshops e a possibilidade de grupos de teatro das localidades usufruirem destas instalações.

Muitas vezes há interesse e disponibilidade quer da população, quer dos agentes políticos para levar mais cultura às suas localidades, a inexistência de infra-estruturas adequadas impossibilita que isto seja uma realidade. Cá está uma possível solução que pode e deve ser exportada do Algarve para o resto do país, e porque não, adequada a outro tipo de iniciativas culturais, nomeadamente exposições, museus, música, ect.

É um projecto inovador no âmbito cultural que já fazia falta.

Obrigado ACTA

24.1.06

O “TAL” movimento de cidadania terá consequências nos partidos políticos?

Este foi hoje o tema do fórum TSF desta manha, onde ouvi umas intervenções hilariantes!!!

Na minha modesta opinião este resultado do Manuel Alegre nada tem que ver com partidos políticos, nem tão pouco se pode querer passar a imagem que é uma derrota do PS.

Porque?

1º- Porque o Manuel Alegre é socialista e por muito que se queira passar por independente, de certeza mais de 90% dos votos que teve foram de socialistas, e não de independentes.

2º - O meu particularmente e o de muitos militantes do partido socialista, foi porque não gostei nada como este tema foi tratado no PS, não foi claro nem transparente, nunca ninguém percebeu muito bem porque apareceu o Mário Soares como candidato apoiado pelo PS e não outro. Não acho que o Mário Soares (como ficou provado), tivesse argumentos para derrotar o Cavaco Silva. O argumento de ser o pai da democracia em Portugal já está por demais gasto!!! Estes argumentos tipicamente portugueses, saudosistas, nós fomos… ele foi… o povo português não quer argumentos do passado, mas sim argumentos para o futuro!

3º - Em todo o caso não interpreto os votos no Manuel Alegre contra o PS nem contra o Eng. Sócrates, mas contra uma comissão politica de iluminados que acha que as pessoas não têm cabeça para pensar e que são seguidistas ao ponto de votarem em quem ELES acham que devemos votar. Tiveram a resposta bem clara.

4º - Muitos votos da esquerda no Cavaco Silva sim, foram votos contra o governo, de lobis que não estão contentes com as medidas corajosas que estão a ser tomadas pelo PS e votaram no Cavaco.

5º - Ficou provado pelo resultado, se a esquerda tivesse apresentado a sufrágio um candidato consensual, podia e com toda a certeza teria derrotado o Cavaco.

Por ultimo, eleições presidenciais são uma coisa, partidos políticos são outra. E a minha cara camarada Helena Roseta, não sei porque está tão azeda a falar sobre este tema, já todos sabemos que ficou irritada por não ter sido incluída nas listas do partido socialista nas ultimas legislativas… mas é da Vida!!!

Ah!!! Já agora camarada Helena Roseta, não diga que o Manuel Alegre é imprescindível ao PS, pois não há ninguém que seja imprescindível em lugar nenhum, nem mesmo o Presidente da Republica!

Ficam aqui alguns tópicos para reflexão!

23.1.06

Está tudo Amnésico!!!

Dá que pensar!!!

Cavaco Silva ganhou as eleições presidenciais a primeira volta.
Ganhou as eleições com maioria absoluta no norte do país nos distritos menos desenvolvidos de Portugal (com excepção de Braga) e onde durante os 10 anos como primeiro-ministro nada fez por estas gentes, refiro-me a Viana do Castelo, a Braga, Vila real, Bragança, Guarda, Viseu…

Em Viana dá mesmo que pensar, nas ultimas eleições presidenciais em que Cavaco Silva foi candidato, pediu desculpas no comício de rua por não ter feiro nada pelo desenvolvimento da região, e hoje passados 10 anos, como é que esta gente o premeia… com 60% dos votos do distrito!!!

O distrito da Guarda no tempo do Cavaco Silva tinha acessibilidades quase do terceiro mundo, hoje tem auto-estrada sem portagens, uma linha de caminho de ferro renovada, tudo obra dos governos de esquerda, e como é que brindam o Cavaco Silva pelo que não fez no distrito… com 60% dos votos!!!!

E por ai a diante…

20.1.06

Apadrinhamento a Distancia



Caros Amigos e Camaradas,

Como ultimamente no blog só se tem falado de politica, e como vocês já sabem, no próximo dia 22 eu vou-me ALEGRAR, pretendo aqui deixar o testemunho de uma iniciativa muito interessante.

A CCS Portugal (Centro para a Cooperação e Desenvolvimento), e uma associação sem fins lucrativos que trabalha com crianças em risco em vários países de Africa.

Até aqui nada de novo é mais uma associação que fala muito e na prática não se vê nada!


Pois bem, aqui começa o engano, a grande vantagem desta associação e que ao contrário das outras faz mesmo. O trabalho que desenvolve é fantástico, com uma maneira de financiamento muito original, conhecida como Apadrinhamento a Distância.

A vantagem deste apadrinhamento é que nós conhecemos a pessoa para a qual estamos a enviar o dinheiro, e sabemos exactamente o que se passa com ela. Aquelas duvidas que normalmente as pessoas têm, “sei lá para onde vai o meu dinheiro”, neste caso estão completamente respondidas.

Eu já apadrinhei um menino de Moçambique que se chama Luís e tem nove anos, do qual já me enviaram uma foto e o contacto da criança.

Apadrinhem uma criança vão ver que não custa nada.

As imagens utilizadas são da autoria e da página oficial da CCS Portugal