10.11.04

Carta Aberta

Carta Aberta
Exmo. Sr. Primeiro-Ministro
Dr. Pedro Santana Lopes

C/c Comunicação Social


Escrevo-lhe em nome dos dois milhares de Jovens Socialistas do Distrito de Bragança, em nome dos quais lhe desejo uma boa estadia, por estas terras que o poeta consagrou como “Reino Maravilhoso”.

Desejamos que esta sua passagem por Bragança, mediática e mediatizada, traga ventos de mudança e que se possa transformar num marco importante, para a convergência evolutiva e sustentada deste distrito com o resto do País, algo em que não acreditamos tendo em conta a forma como durante estes quase três anos, a coligação nos tem mentido e desprezado. Contudo, se nos é permitido, pedimos-lhe que não transforme Bragança, com esta mediática deslocação, numa qualquer quinta de um canal Televisivo!

Sr. Primeiro-Ministro, neste “Reino Maravilhoso”, longe do seu Gabinete há gente com alma, que teimosamente continua a ter dificuldades acrescidas, devidas a esta interioridade asfixiante, que o Governo que agora lidera teimosamente sufoca cada vez mais e de uma forma acelerada.
Nestas Terras, onde hoje reúne o Conselho de Ministros, existe uma população cada vez mais envelhecida. Aos jovens escasseiam oportunidades de emprego, o sucesso e a ambição profissional são limitadas, e aqueles que por cá ficam fazem-no por amor, a uma Terra esquecida, mas que também é Portugal!

Dois anos passados, desde as eleições legislativas de 2002 e nenhuma promessa foi ainda cumprida pela coligação Governamental no que respeita a este Distrito e ás suas populações.
Bem sei que o Sr. Primeiro-Ministro, á data das legislativas era então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e que nem foi candidato a Deputado, contudo, importa relembrar-lhe algumas promessas de enorme impacto eleitoral que o seu partido utilizou na “caça” ao voto no Distrito de Bragança, e perguntar-lhe claramente se essas mesmas promessas são, ou não, para cumprir nesta legislatura.

O Sr. Primeiro-Ministro, afirmou que iria cumprir o programa de Governo que vinha de trás, o que por si só não basta. Importa também assumir as promessas e os compromissos que ao longo destes dois anos, o antigo Primeiro-Ministro, Dr. Durão Barroso, e muitos dos seus Ministros e Secretários de Estado, que nas suas deslocações a Bragança iam assumindo publicamente.
Esperamos muito sinceramente, que todos os compromissos com os Brigantinos sejam para levar a bom porto, contrariando assim as palavras irresponsáveis do Sr. Ministro José Luis Arnaut, que numa das suas deslocações a Bragança afirmou que nem todas as promessas eram para cumprir. Aliás relembro ainda o “contraditório” a que foi sujeito, em plena campanha eleitoral para as Europeias passadas, onde João de Deus Pinheiro afirmou, em Bragança, que se existem promessas, então elas terão que ser cumpridas e acrescentou ser essa a única forma de as pessoas continuarem a acreditar nos políticos desta coligação.

Certamente, que o Sr. Primeiro-Ministro, compreenderá as nossas preocupações, afinal em dois anos desta Coligação (ou coabitação) PSD/PP, Bragança não recebeu um único sinal das intenções deste Governo em honrar os seus compromissos.

Uma das grandes bandeiras do PSD para o Distrito foi a passagem do Instituto Politécnico de Bragança a Universidade, afirmando na altura o Presidente do seu Partido, Dr. Durão Barroso: “Durante os próximos quatro anos vai haver Universidade de Bragança…mesmo contra a opinião dos tecnocratas do Partido”. Passaram já dois anos e meio e a promessa eleitoral foi-se esvaziando no tempo.
Em Maio passado, a comissão Pró-Universidade, presidida pelo Eng. Jorge Nunes, Presidente da Câmara Municipal de Bragança e militante do seu Partido, reuniu com a Ministra do Ensino Superior. Nessa altura, foi prometido um estudo concreto acerca da passagem do IPB a Universidade no âmbito da Comissão coordenada pelo Professor Veiga Simão. Apesar de tudo e de se tratar de um documento académico, isento e que o Governo deve ter em linha de conta, em nada de concreto se refere á passagem do IPB a Universidade (tal como foi prometido), aliás, esse documento refere-se a novas instituições de Ensino Superior, como Universidades Politécnica. Contudo a promessa eleitoral, de cariz politico (bem o sabemos) era clara e peremptória. Cito de novo: “Durante os próximos quatro anos vai haver Universidade de Bragança…mesmo contra a opinião dos tecnocratas do Partido”!
Sr. Primeiro-Ministro, só com vontade politica tal promessa poderá ser cumprida, e deixo-lhe um desafio, assuma hoje, aqui em Bragança, se este compromisso com o eleitorado Brigantino é, ou não, para assumir.
De qualquer forma estaremos atentos também, à forma como irá votar a Moção que será apresentada pela Distrital de Bragança do seu Partido, no próximo Congresso, que, pelo que sei, após inúmeras vezes assumir o compromisso da passagem do IPB a Universidade com o eleitorado, parece agora, que o irá deixar cair, sem explicação aparente.

Sua Excelência, após a sua tomada de posse enquanto Primeiro-Ministro de Portugal, prometeu descentralizar seis Secretarias de Estado para fora de Lisboa, o que aliás veio mesmo a concretizar. Mas, curiosamente, ou não, nenhuma dessas Secretarias de Estado beneficiou o interior do País, optando por fixá-las no litoral. Ostensivamente, o interior do País foi mais uma vez preterido. Mas, como afirmou, que iria prosseguir com os compromissos assumidos pelo Dr. Durão Barroso espero que em breve tenhamos, no distrito a sede do ICN, exactamente aqui onde se encontra a maior área protegida do território nacional.

Uma terceira bandeira eleitoral, referia-se exactamente á Ponte Internacional de Quintanilha, que continua sistematicamente adiada. Relativamente a esta obra de grande importância nas relações transfronteiriças, relembro-lhe mais uma vez a falta de vontade politica que esta coligação tem demonstrado na sua execução, para tal, basta atentamente verificar o valor irrisório que tem sucessivamente sido colocado em PIDAC para esta obra.
Entretanto surgiu, outro compromisso com os Brigantinos, o prolongamento da A4, de Amarante a Quintanilha! Algo que nos conduz á seguinte questão: Com ligação através da Ponte Internacional, ou sem ela?
Mas, quanto a esta promessa, surgida recentemente após uma reunião de Conselho de Ministros, gostaria que explicasse aos Brigantinos como é possível, que nada, sobre ela surja em PIDAC? É que, perante estes factos, apenas consigo entender esta manobra como mais um acto propagandístico de um Governo com consciência de que, para além de não discriminar positivamente o interior, ainda o penaliza.

Sr. Primeiro Ministro, muitos são os temas e as promessas que gostaria de lhe relembrar, mas estou certo que nesta sua deslocação a Bragança terá oportunidade de as ouvir insistentemente por parte daqueles com quem tiver a oportunidade de contactar.

Mas, para terminar, deixe-me relembrar-lhe, que esta coligação Governamental extinguiu o Crédito Bonificado para Habitação, prejudicando milhares de jovens, que viram desta forma os seus sonhos de ter uma casa própria cada vez mais distantes. Permita-me que em nome dos Jovens Socialistas do distrito de Bragança, lhe faça a seguinte sugestão, pondere criar situações de discriminação positiva no interior, reponha o Crédito Bonificado para Habitação em determinadas regiões menos desenvolvidas, que, a par de benefícios fiscais para a iniciativas empreendedoras e geradoras de emprego jovem nestas mesmas áreas, faria renascer a esperança a milhares de Jovens que continuam a acalentar o sonho de poder viver na sua terra e sentir que têm as mesmas oportunidades!


Cordiais Saudações
Bruno Veloso
Presidente da Federação Distrital da JS Bragança

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